O título desse texto não é metáfora.
Em janeiro deste ano, coloquei R$ 300 que eu não tinha num curso digital chamado Low Ticket Automático, do Felipe Sempe. Comprei sem contar pro meu marido Edson. Comprei com dinheiro do "envelope do supermercado" — aquele que toda mãe brasileira sabe que é sagrado.
Era a coisa mais irresponsável que eu tinha feito em 19 anos de casamento. Hoje, 4 meses depois, preciso contar o que aconteceu.
Como eu cheguei nesse ponto
Sou dona de casa em Recife. Tenho 43 anos, três filhos (16, 12 e 7) e meu marido é motorista de aplicativo. A renda da família depende inteiramente do que ele faz na rua, todo dia, das 6 da manhã às 11 da noite.
Eu queria ajudar. Mas o que eu posso fazer? Trabalhei numa ótica antes de casar, depois fiquei em casa pra cuidar das crianças. Não tenho diploma, não tenho rede, não tenho idade pra pegar emprego em loja. Foi nesse contexto que vi o anúncio do Felipe Sempe pela primeira vez.
O anúncio que eu fechei 12 vezes
Sério: 12 vezes. Cada vez que aparecia, eu pensava "que descaramento, vendendo curso pra gente que não tem dinheiro". Mas o anúncio só voltava porque o Instagram entendia que eu estava interessada. Eu fingia que não estava. No fundo, estava.
Numa noite de janeiro, depois que as crianças dormiram, cliquei. Assisti a apresentação inteira. Foram 22 minutos. No fim do vídeo, eu já estava chorando. Não porque o que ele falou era manipulador — pelo contrário. Chorei porque entendi que existia uma possibilidade real pra alguém como eu. Uma mulher de 43 anos, em casa, sem currículo, sem aparecer. Comecei a mexer no envelope do mercado.
Por que não pedi pro meu marido
Antes que alguém julgue: meu marido não é um homem ruim. É meu parceiro há 19 anos. Mas ele não acreditaria. Não porque desconfia de mim — porque tem 47 anos, dirige aplicativo 17 horas por dia, e a cabeça dele não consegue imaginar que existe outra forma de ganhar dinheiro além de "trabalho honesto e suado".
Se eu chegasse com "amor, achei um curso na internet, custa R$ 300, pode ser que dê certo", ele teria me olhado com aqueles olhos cansados e dito: "Patrícia, esses R$ 300 são uma semana de mercado". E estaria certo. Eu não tinha argumento. Só tinha intuição.
Os primeiros dias: pura culpa
As primeiras duas semanas foram assustadoras. Eu acordava às 5h30 pra fazer café pra ele e pras crianças. Quando todo mundo saía, ligava o celular e estudava. Anotava tudo num caderno escolar usado da minha filha mais velha. Quando o Edson chegava, fingia que estava cuidando da casa.
Cada dia que passava sem venda era um aperto no peito. Já tinha gasto o dinheiro do mercado. Já tinha pegado dois pacotes de arroz emprestado da vizinha.
No dia 18, depois de quase 10 dias estudando e configurando, fiz minha primeira venda. Desliguei a torneira, sequei as mãos no avental e li a notificação 4 vezes. Depois fui pro banheiro chorar sem ninguém ouvir. Foi a sensação mais bonita que eu tive em muitos anos.
30 dias depois: o que aconteceu
No fim do primeiro mês, fechei R$ 1.140. Trinta vendas espalhadas em 12 dias úteis.
No dia 11 de fevereiro, não aguentei mais. Sentei o Edson na varanda depois que as crianças dormiram. Levei dois copos de cerveja gelada. Falei: "amor, eu preciso te contar uma coisa, mas precisa que você me deixe terminar antes de me responder". Contei tudo. Mostrei o painel. Mostrei o caderno de anotações.
Ele ficou olhando pra tela por um tempo que pareceu longo. Depois pegou minha mão e falou: "Você fez isso tudo escondida porque achou que eu não ia acreditar?"
Eu chorei de novo. Mas dessa vez não foi escondida.
Hoje — 4 meses depois
No último mês fechado, fiz R$ 4.380. Mais que o salário mínimo, trabalhando de casa, no horário em que as crianças estão na escola.
A primeira coisa que fiz foi devolver o pacote de arroz da vizinha (com mais um de presente). A segunda foi colocar dinheiro de volta no envelope do mercado. A terceira foi inscrever minha filha mais velha num cursinho preparatório que ela queria fazer há um ano. O Edson reduziu a jornada. Não dirige mais até as 11 da noite. Janta com a gente.
Para quem está lendo isso com pé atrás
Se você é mãe, dona de casa, mulher 40+ e está pensando "será que dá pra mim?" — a diferença entre quem dá certo no LTA e quem não dá não é dinheiro, idade ou conhecimento. É decisão.
Recomendo começar pela apresentação completa do método. São 22 minutos. Foi o que me deu coragem. Se for o seu momento: acesse com desconto de blog.